Naquela tarde, as crianças haviam acabado de chegar da escola. Entre brincadeiras, risadas e o lanche da tarde, pedi que fossem tomar banho.
Minha filha respondeu que ainda estava comendo. Meu filho, completamente envolvido na brincadeira de cartinhas e "bafo", olhou para mim e disse:
"Não fala comigo, estou irritado."
Confesso que aquela resposta me atingiu. Na mesma hora pensei: "Irritado? Ele não paga contas, não tem boletos para vencer, não precisa se preocupar com o sustento da casa... Como pode estar irritado?"
Sem pensar duas vezes, interrompi a brincadeira e o levei para o banho. Enquanto o ajudava, conversei com ele com calma. Expliquei que não é assim que devemos responder aos nossos pais, que as palavras têm peso e que o respeito precisa estar presente mesmo quando estamos contrariados. Eu o corrigia porque o amo, mas meu coração ainda estava triste pela forma como ele havia falado comigo.
Terminamos o banho. Coloquei sua roupa, preparei seu prato de jantar, servi o suco. Alguns minutos depois, sem sequer perceber, eu estava dando comida em sua boca, rindo de uma cena da televisão e aproveitando aquele momento ao lado dele.
Foi então que Deus falou profundamente ao meu coração.
Mesmo entristecida com a atitude dele, o meu amor não diminuiu. Continuei cuidando, alimentando, protegendo e desejando o melhor para o meu filho. A correção não anulou o amor.
Naquele instante compreendi que é exatamente assim que Deus faz conosco.
Quantas vezes respondemos mal ao Senhor através das nossas atitudes? Quantas vezes reclamamos, desobedecemos, ignoramos Sua voz ou escolhemos nossos próprios caminhos? Ainda assim, Deus continua nos sustentando. O sol nasce sobre nós. O alimento chega à nossa mesa. O fôlego permanece em nossos pulmões. Sua graça continua nos alcançando.
Isso não significa que Deus aprova nossos erros. Assim como uma mãe amorosa corrige seus filhos, o Senhor também nos disciplina. Mas Sua disciplina nunca é a ausência de amor; pelo contrário, ela é uma das maiores provas dele.
Naquele dia, enquanto cuidava do meu filho, percebi que eu estava apenas refletindo, de forma tão pequena, o amor perfeito do Pai celestial.
O amor de Deus não depende do nosso desempenho. Ele nos corrige para nos transformar, nos perdoa quando nos arrependemos e nunca deixa de desejar o melhor para nós.
A maternidade me ensinou uma verdade que jamais quero esquecer: antes de ser mãe, eu sou filha. E o mesmo Deus que me capacita a amar meus filhos com todas as minhas limitações é o Pai que me ama com um amor perfeito, infinito e inesgotável.
"Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem." (Salmo 103:13)
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